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Crítica à tolice feminina

 

Record 226 pag 14x21
ISBN 85-01-06012-7

Um desafio ao movimento feminista, aos teóricos sociais, aos pensadores políticos, e a construção de um novo modelo de sociedade denominado Estado do Usufruto, cabendo às mulheres a obrigação de construí-lo.

 

 

Trechos do livro "Crítica à tolice feminina"

A boca que beija

(...) o sistema que tampa buracos é o mesmo que os perfura. Ao mesmo tempo que se aguçam os problemas, estouram opções que fazem arrebentar novos problemas. O remendo é feito com a mesma roupa que nos veste. Nos famosos versos de Augusto dos Anjos, "o beijo, amigo, é a véspera do escarro, a mão que afaga é mesma que apedreja". O problema do sistema é escavar os homens, de forma a deixá-los vazios(sem solução), porque é do vazio que vem o lucro.

Por mais que as mulheres se esforcem, haverá sempre alguém para dizer que as crianças estão infelizes, "largadas". Não só elas. Mas o marido, os amigos, o trabalho, a casa, o sexo, as coisas, o ser humano, elas mesmas. Elas têm de escutar tudo isso caladas, pois não são mentiras. Este sistema que colocou a mulher no centro das atenções e lhe abriu as portas para uma liberdade que cheira a enxofre fica em apuros quando percebe que colocar a mulher em evidência significa também deixar vir à tona milhares de chagas que a hipocrisia cobriu com a poeira dos séculos. Na hora do aperto, Estado e sociedade, tais como Pôncio Pilatos, lavam as mãos e pregam a mulher na cruz: "Quem mandou querer se emancipar? Agora agüenta!", é a frase que normalmente as mulheres escutam. As crianças não são tratadas como futuros cidadãos, pois ninguém se sente na responsabilidade de cuidar delas. Nessa hora, é a voz do capitalismo que ressoa: "Os filhos são propriedade dos pais. Eles, portanto, que se virem", completa a voz do Estado, que não pode se limitar a atender interesses tidos como individuais. E o pior, a sociedade consente nisso com um silêncio sufocante. E onde estão as mães que não gritam? Também estão caladas, amargando uma culpa que, na verdade, não precisariam ter (...)

A sociedade deixa a mulher com as seguintes escolhas: a) ou ela é para si mesma; b) ou ela é para o outro. Se quiser ser as duas, o preço é mais caro. Vamos mostrar adiante a sutileza dessa armadilha, a inteligência reptícia que se esconde por trás dessas duas escolhas.

 

Objetos não-identificados

Sem que percebessem, as mulheres tornaram-se bibelôs de estilo barroco, com uma suposta natureza profusa em emoções e necessidades. Um abismo infindável que nunca ninguém cansará de cavar para descobrir novas possibilidades e dele extrair riquezas. Por isso, pensar a condição existencial feminina tornou-se primordial, pois tudo que afeta a mulher reflete diretamente no "caixa" do mundo capitalista e vice-versa. Foi preciso, portanto, preocupar-se com suas depressões e angústias sem, no entanto, procurar resolvê-las definitivamente. É necessário que estejam sempre prontas, lindas e felizes para continuar consumindo, mas ao mesmo tempo elas precisam deixar acesa a chama de não poderem estar sempre tão lindas, prontas e felizes(...) Se por um lado lhes acenam com a perspectiva de atingirem a perfeição ou de serem quase perfeitas, por outro lado são duramente cobradas e criticadas em suas "imperfeições". Esse mecanismo social funciona como roldanas perfeitas para elevar e fazer a economia girar.

A "natureza feminina" espatifou-se em mil pedaços, feito um cristal. Isso pode ser facilmente visualizado pelas propagandas de linhas de cosméticos. Não existe apenas um tipo de pele ou cabelo, mas infinitos, e, em cada tipo de pele, por exemplo, uma peculiaridade que exige outros tipos de creme mais específicos. Para o rosto podemos encontrar uma sofisticada linha de produtos que servem para áreas específicas, como os olhos, boca, ponta do nariz... E para cada microrregião existe uma forma de atuação desses produtos que ainda se subdividem em horários para serem usados e que têm determinadas funções: hidratar, nutrir, adstringir, refrescar, colorir, descolorir etc. Assim, as exigências de cuidados estendem-se para toda a pele, cabelo, corpo, psique (...)

 

Poço sem fundo

(...) É por isso que se julgam complexas e vazias ao mesmo tempo. E também é por isso que enxergam em tudo que as cerca a complexidade e o vazio.A realidade vai tornando a mulher cada vez mais incompreensível, seus amores cada vez mais distantes e os homens inconsistentes. Quanto mais as mulheres se questionam e percebem sua psique repleta de galerias vazias, tanto mais os homens, à semelhança de seus cremes, se lhes afiguram pobres e incompetentes para povoar seus infinitos desertos. O resultado deste olhar sobre o próprio mundo íntimo reflete-se como insatisfação diante do mundo exterior, que, aos seus olhos, parece obscuro, inóspito e desanimador: um abismo. Não sabem, entretanto, que enxergam o que são por dentro (...)

 

Alices sem maravilhas

As mulheres estão exaustas feito Alices caindo em um túnel sem fim e se perguntando quando, afinal, chegará o jardim das maravilhas prometido pela independência. Se não abrirem os olhos, continuarão se esborrachando sobre os pedregulhos. Mas também com relação a isso não precisarão preocupar-se muito, pois a máquina de fazer dinheiro já arrumou um jeito de sair consertando e recosturando a mulher toda vez que ela precisar. Também não faltará quem afirme que ela está sempre precisando de remendos (...)

 

A tolice feminina

(...) Foram amarrados às saias femininas novos astros e cometas. Tudo que diz respeito à mulher nos dias modernos se tornou muito importante: seus salários, seus orgasmos, seus filhos, maridos, amantes, casa, corpo etc. E também essas coisas "importantes" foram multiplicadas, diversificadas. Assim, não é apenas essencial desvendar, por exemplo, os orgasmos, mas também classificá-los, dividi-los, dissecá-los, arrumá-los em prateleiras. Escavar a parte de dentro e a de fora das mulheres. Mais do que galinha dos ovos de ouro, a mulher é para o sistema capitalista aquele rei que transforma em preciosidade tudo que toca. Pena que não são elas os guias de suas próprias mãos! É justamente isso que falta à mulher: sair das mãos do outro, a que estão presas nem pela força, nem por obrigação, nem por desejo, mas simplesmente por tolice (...)

(...)Sei que minhas palavras se arrastam para o terreno traiçoeiro das publicações de auto-ajuda. Digo traiçoeiro porque os manuais de auto-ajuda ou de sucesso têm o efeito fugaz da aspirina e só ajudam realmente seus fabricantes. E hoje em dia está sendo muito difícil se fazer compreender por outro caminho que não esbarre no simplismo dos manuais(...)

(...)Se esta minha crítica servir de método para alcançar a felicidade, é melhor jogar tudo que escrevi no lixo.

 

 

A função social dos Amantes

 

 
Autêntica Editora
ISBN 85-86583-60-X
104 páginas 16X23


Um livro libertário e libertador?

Voltado para o futuro, capaz de melhorar as relações pessoais - tema que ocupa a todos os que se propõem a contribuir para uma nova forma de sociedade, de convivência e de amor.

Merece ser lido e meditado!
José Ângelo Gaiarsa

 

SINOPSE

Trata-se de uma análise sociológica da origem das culturas de de posse, dos vários significados das alianças matrimoniais e seus desdobramentos na psique individual e coletiva das sociedades. O livro analisa com profundidade a distribuição dos papéis sociais e suas influências nas condutas dos gêneros masculino e feminino.

Os amantes, figuras sociais sombrias e sem rosto, denunciam a existência de uma farsa. A intenção do livro é tirar o véu que cobre as relações amorosas para concluir que, no final das contas, elas apenas refletem um modo de ser, cultural e econômico. E no caso das sociedades modernas, industriais, nossas relações amorosas, em que a figura dos amantes é rotineira, apenas serve de radiografia para denunciar que fazemos parte de uma estrutura socioeconômica hipócrita.

- Crítica à tolice feminina

- Trechos do livro "Crítica à tolice feminina"

- A função social dos Amantes